
Meu pai era geólogo e por coincidência fui convidada a narrar um trecho do Romanceiro da Inconfidência, de Cecília Meireles, numa das instalações do mais novo museu do Circuito Cultural Praça da Liberdade.
“Miragem” - Como em uma miragem, algumas peças de destaque do acervo flutuam no ar. Graças a um jogo de espelhos côncavos, os minérios e seus derivados bóiam no meio da sala, ao alcance das mãos, que não conseguem tocar neles.
A direção da gravação foi do curador Marcello Dantas.
Fica o convite aos turistas e aos moradores de Belo Horizonte que ainda não estiveram por lá!
Agora… só mesmo um pai geólogo, detalhista por natureza, colocaria legendas em todos os álbuns da família assim… e nos levaria para passeios tão profissionais!

Foto: Vitorio Takai
Tenho encontrado algumas pessoas que conviveram com ele e sempre demonstram carinho e respeito enorme pelo profissional e companheiro que foi. Só posso dizer que fico muito orgulhosa.
Queria registrar aqui que minha mãe também é muito jóia e está bem viva, para alegria de todos nós!
: D
Foto: Luis Saguar
E dezessete anos depois, nossas coordenadas se encontraram outra vez. Numa sexta-feira 13 de agosto de 1993, o Pato Fu lançava seu primeiro disco em Santa Tereza, bairro cheio de tradições musicais. Do Clube da Esquina à Sepultura. Nossos convidados especiais eram personagens enormes do Giramundo, trupe encantada de teatro de bonecos de tradição internacional. Semana passada estava em Alegre (no Espírito Santo amém) quando olhei pro calendário do posto de gasolina e notei que era sexta-feira 13 de agosto outra vez. E a gente tinha acabado de estrear na semana anterior, um novo espetáculo com a presença ainda mais especial e constante do Giramundo.
Quando esse tipo de coisa acontece eu fico pensando em como temos sorte pela carreira que já dura tanto tempo. Por estarmos vivos e produzindo. E contar com a companhia de pessoas tão talentosas que endossam o nosso trabalho de uma forma criativa.
Acabamos de lançar um disco todo gravado com instrumentos de brinquedo, miniaturas e instrumentos de iniciação musical, com a participação de três crianças em alguns vocais. Foi pela impossibilidade de levar para a estrada os pequenos – pois são muito novos e precisam dos horários certinhos para comer, estudar, dormir, brincar – que nos veio a ideia de convidar o Giramundo. Algumas pessoas sugeriram vídeo, playback, mas como tudo nesse show “de brinquedo” é tocado ao vivo por sete músicos, fomos atrás de uma solução que também fosse de carne e osso. Bem… carne, osso, pelúcia, E.V.A, cola, linha, plush, madeira, plumas, vozes de monstro e doses enormes de experiência e bom-humor.
Num espaço de tempo muito reduzido eles se desdobraram para criar e produzir dois bonecos cantores. Quem viu o espetáculo ao vivo na estreia ou mesmo as cenas que circulam pela internet já percebeu que ganhamos mais do que dois vocalistas de apoio. São agora a parte mais esperada do show. As pessoas querem tirar foto com Ziglo e Groco, nossos adoráveis monstrinhos. O Giramundo tem a capacidade de se comunicar com plateias de idades diferentes, alcança o universo infantil e o adulto com muita naturalidade. Exatamente o que pretendiamos com o disco “Música de Brinquedo”.
Além da parte profissional, não posso me esquecer do privilégio que é poder cair na estrada com Beatriz Apocalypse, Marcos Malafaia e Ulisses Tavares, entre outros Giramundos… Vocês podem ter certeza de que o pré e pós-show para nós agora tem ainda mais sabor. Se alguém tinha dúvida de que a gente é uma banda que gosta de turnês – mesmo com a saudade imensa que dá de casa – podem saber que agora é que a gente quer mesmo viajar o país (o planeta por que não?) na companhia deles.
São 40 anos de Giramundo e 18 anos de um Pato Fu que sente-se honrado em fazer parte desse pedaço da festa deles que só faz sentido se a gente encontrar vocês por aí. E posso dizer que desse novo encontro vai sair mais notícia boa… Que o mundo gire mais e mais porque eu não quero descer!
Publicado em 17 de agosto de 2010 nos jornais Estado de Minas e Correio Braziliense.

Respostas na revista Tpm 101, página 41…
Mas quem me conhece um tiquinho já sabe…
: D
O site do Pato Fu tem sido bem abastecido com fotos recentes tiradas pela Gabi Lima. Fica o convite para irem lá conferir!


John, Eduardo Zunza (diretor), eu, o troféu do 21. Prêmio de Música Brasileira e Daniel Veloso (diretor) em foto tirada há pouco no Theatro Municipal do Rio de Janeiro…
Um agradecimento especial à nossa equipe, a todos da produtora G5, Deckdisc e todo mundo que construiu esse projeto com a gente!
Eba!!!