fevereiro 2011
fevereiro 28, 2011
fevereiro 12, 2011
Video: Alex Moreira (BossaCucaNova)
Tive a alegria de dividir o palco com Andy Summers (The Police), Cris Delanno (BossaCucaNova), Marcos Suzano, Adriano Giffoni, Marcos Valle & o senhor generosidade: Roberto Menescal.
Foi no lançamento do DVD United Kingdom Of Ipanema onde participei em meio a um monte de gente bamba.
Bem… a verdade é que o Andy e o Menescal não me pediram pra passar a roupa deles, mas eu passaria com muito gosto! Só não ia ficar à altura do talento dos moços…
Foto: George Israel (Kid Abelha)
PS: e o Alex Moreira também mostra que além de produtor, arranjador e instrumentista é documentarista! E o George Israel fazendo a cobertura fotográfica…
Não dá pra ser só uma coisa nessa vida, gente.
fevereiro 8, 2011
Como ex-aluna da Fafich/UFMG tenho o dever e o prazer de ajudar a propagar esse tipo de iniciativa. Mesmo quem não é de Beagá pode começar a fazer isso em sua cidade.
Para saber mais sobre o Projeto Livro Circulante, clique aqui.
Quem coordena esse programa é a Assessoria de Comunicação da FUMP (Fundação Universitária Mendes Pimentel) - uma instituição privada sem fins lucrativos que tem como missão prestar assistência estudantil aos alunos de baixa condição socioeconômica da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Ali são desenvolvidos Programas de Assistência Estudantil que visam facilitar o acesso à saúde, alimentação, moradia, aquisição de material escolar, transporte, recursos financeiros para manutenção pessoal e outros projetos que auxiliam os estudantes a ter um bom desempenho acadêmico, reduzindo a evasão na Universidade.
fevereiro 2, 2011
Quem leu meu livro “Nunca Subestime Uma Mulherzinha”ou é leitor dos jornais onde tenho minha coluna às terças-feiras, deve se lembrar de um texto chamado “Procura-se Uma Professora de Violão”.
Não é que depois de muitos e muitos anos a gente conseguiu se reencontrar?
Uma sobrinha dela, me passou o endereço em Juiz de Fora. Escrevi uma carta à moda antiga. Recebi outra de volta com aquela mesma letra que eu sabia reconhecer direitinho. Junto vieram desenhos de seus dois filhos. Como não poderia deixar de ser, duas pessoas tão educadas e encantadoras como ela mesma.
Fiquei na torcida pra que um show fosse marcado na cidade. Estive lá com o Pato Fu, mas o telefone que eu tinha dela na época da carta mudara. O Conservatório onde ela dá aulas atualmente estava fechado… Quase um ano se passou e voltamos à cidade com o “Música de Brinquedo”. Mandei um telegrama dias antes, mas ele voltou. Estava muito chateada pois não estava conseguindo mais contato. Enquanto passava o som, o produtor local me disse que uma ex-profesora minha tinha ligado lá e queria pra falar comigo mais tarde. Nem é preciso dizer o quanto fiquei apreensiva para que a noite chegasse logo.
Finalmente a vi ali junto com seus dois filhos. Uma alegria imensa. Durante o espetáculo falei que ela estava na plateia e de sua importância em minha vida.
Segue a nossa foto no camarim. Quando ela me dava aulas, tinha 19 anos e eu 9!
Gosto quando o tempo é bom com a gente e nos dá esse tipo de presente.
: )
Abaixo segue o texto para quem não conhecia…
PROCURA-SE UMA PROFESSORA DE VIOLÃO – publicado em 05/102006 nos jornais Estado de Minas e Correio Braziliense
Quando eu tinha uns nove anos, comecei a ter aulas de violão com uma professora que morava perto da minha casa. Acabei ganhando de presente de aniversário adiantado um violão de cordas de nylon que era enorme pro meu tamanho. Mas a culpa foi minha mesmo. No dia em que fui na loja com meu pai, quis um instrumento que ficasse comigo por muito tempo. Aliás, é um dos dilemas dos principiantes: compramos algo baratinho e não tão bom pra depois passar pra um instrumento melhor ou já escolhemos algo com mais qualidade porque aí até mesmo nosso aprendizado vai ser facilitado? Violões que não afinam direito dão uma tristeza danada… E os dedinhos machucados de quem começa a aprender bem que precisam de um braço macio e cordas equilibradas. O problema é que a verba da familia acaba decidindo por nós. Assim, num sábado pela manhã, voltei feliz do centro da cidade com meu primeiro instrumento musical de verdade.
Então lá ia eu, uma vez por semana, levando meu violão numa capa de tergal marrom. Abraçava-o com força porque se o levasse pela alça da capinha, se arrastaria pelo chão. Minha mãe indicou o caminho mais curto pra chegar até a casa da professora. Eu fazia sempre o mesmo trajeto. Atravessava as ruas no mesmo lugar. Abria o portãozinho de ferro que dava num quarto externo daquela casa de esquina feita de tijolinhos e, antes de entrar, espiava pela janela. Muitas vezes a professora estava ainda terminando a aula anterior e passando aos alunos as músicas que tinham que ser treinadas pra próxima semana. Era uma turma pequena. Dois, três no máximo! Alguns dias tive aulas sozinha, era um horário bem no meio da tarde. Como eu me sentia contente ali! Era recebida com o enorme sorriso da professora – ela mesma muito jovem. Isso nos ajudava a ter um repertório sempre atualizado de músicas que estavam tocando no rádio e que ela já tinha cifrado pra todos aprenderem, junto com algumas novas posições. Claro que era preciso passar por alguns clássicos, digo, canções populares. Elas continham os acordes básicos e pilares de todo o resto. Então o começo de todos os caderninhos dos alunos era bem parecido… na medida em que íamos aprendendo mais acordes, ia se abrindo o leque de escolhas. Devo ter frequentado regularmente as aulinhas de violão por quase três anos.
Minha professora insistia para que eu também cantasse as músicas que eu ia aprendendo a tocar. “Tenho vergonha”, eu dizia. “Não consigo, minha voz não é boa”. Ela insistia: “É boa sim, vamos, canta comigo baixinho então.” Ela cantava muito bem. Tinha uma afinação incrível e sabia criar outras vozes. “Como os Beatles, né?”, eu me admirava. Eu preferia vê-la cantar enquanto ia tocando meu violão pra que ela avaliasse se eu tinha aprendido ou não cada uma das canções. “Esse dedinho aí ainda tá fraco. Treina mais um pouquinho,viu? Ou dá mais comida pra ele!” Sempre muito simpática, fazia com que a gente se esforçasse mais e conseguisse ir em frente nas páginas do caderno. Quando comecei a ser fã de determinados artistas, ela com paciência me ajudava a tirar algumas cifras das minhas músicas preferidas. E sempre insistindo: “Fernanda, você tem que cantar mais”. E eu não me lembro de ter feito isso com convicção na frente dela. Engraçado.
De tempos em tempos quando vou votar numa escola em Belo Horizonte, passo em frente à casa onde ficava o quartinho de aula de violão. Não transferi meu título de eleitor, o que me leva a reencontrar algumas ruas do bairro onde morei no passado. Há alguns anos toquei a campainha pra saber se ela estava por lá, ninguém atendeu. Eu me encontrei com ela pela última vez há mais de dez anos e perdi o contato. Nunca disse para a Lercy Cyrino o quanto ela foi importante pra mim. E acredito que muita gente tenha ainda a música muito presente em suas vidas – profissionalmente ou não – por causa dela.
Querida professora de violão, obrigada por fazer de mim uma pessoa melhor através da música que você me ensinou. Se essas linhas chegarem até você, espero que eu possa lhe dar um abraço apertado qualquer dia desses…




