Foto: divulgação
Fui convidada pela Disney para gravar dois temas do novo filme que estreia em julho, Winnie The Pooh.
“O Bosque dos Cem Acres” e “Uma Coisa Muito Importante Pra Fazer” são as canções que ganharam versão em português. As originais em inglês são maravilhosamente interpretadas por Zooey Deschanel.
Estão todos convidados! O filme é muito bonito, em animação clássica, tive o privilégio de ver antes…
E ter a voz num desenho tão fofinho e histórico me deixou bem feliz!
: )
Acostumada a muitas horas na estrada ou no ar, acho que bati o meu próprio recorde ao ficar 36 horas entre um destino e outro. Estava a trabalho com meus amigos músicos, voltando de cinco apresentações na Oceania com direção à Argentina, onde haveria mais um show. Quando uma viagem tão longa assim é feita, claro que a lucidez é quase perdida e todas as possibilidades de passatempo são usadas à exaustão.
Acordados desde as 3h da manhã, já tendo viajado um trecho doméstico na Nova Zelândia, teríamos pela frente uma espera de pelo menos seis horas em Auckland pela conexão internacional. E ainda teríamos que despachar de novo todas as nossas malas e equipamentos. Acabamos conhecendo cada canto do aeroporto. Tomamos vários cafés, de todos os tamanhos e misturas. Muffins de todos os sabores. Chegamos até a passear no ônibus circular grátis entre os terminais em busca de outras comidinhas. Tornamo-nos adeptos do very slow food. Respondemos a e-mails atrasados, tentamos algum contato com amigos via internet, mas o fuso de 15 horas deixava tudo mais complicado. Livros, revistas, joguinhos eletrônicos. E quando chegou a hora prevista para despachar as bagagens, surpresa! Confesso que não acreditei em meus olhos, chamei meus amigos e pedi que eles mesmos lessem o que aparecia no painel eletrônico.
Como se fosse uma boa notícia, eles simplesmente escreveram em caixa alta NEW TIME! Isso era o jeito meigo de nos comunicarem o atraso de pelo menos seis horas do voo. O problema é que já havia um bocado de passageiros bem conformados, sentados com mochilas no chão da fila, assim com cara de tudo bem, tô ouvindo o meu som…. Fomos falar com o pessoal da companhia e nada. Sorry pra lá e pra cá. Ainda tínhamos uma conexão em Santiago, e com certeza não ia dar tempo. Pra piorar, não sabiam em que horário poderíamos embarcar para o destino final. E se a gente não pedisse, a mocinha do balcão nem daria o voucher com o valor bem abaixo do que seria uma refeição decente. Tinha também cartão telefônico internacional. Mas eles não oferecem, claro. Era preciso saber da existência dele e pedir. E não davam um pra cada. Era um pra cada grupo de pessoas.
Um de nós acabou entrando numa lojinha pra turistas e comprou um baralho bem típico, assim dizendo. Procuramos um cantinho perto de uma lanchonete e partimos pro carteado, pedindo mais café a cada hora pro supervisor não achar ruim que ocupássemos aquele lugar sem consumir nada. Mais vida em câmera lenta. Incrível como até quem não liga pra jogo de cartas acaba entrando no espírito única opção coletiva e começa até a vibrar. O meu caso. E ainda fiquei responsável pela anotação dos pontos, que encheram as páginas do meu caderninho de bolso.
Foto: John Ulhoa
De repente, uma moça da segurança veio preocupada perguntar se uma mochila aparentemente abandonada numa das mesas ao lado era nossa. Estava observando-a há alguns minutos e ninguém parecia cuidar dela. Alguém do nosso grupo disse ter visto a dona sim, devia ter ido ao banheiro. Logo a mocinha queria que déssemos a descrição completa da suspeita. Ninguém lembrava direito, mas como ela insistiu falamos genericamente: loira, com uma blusa verde… A segurança ficou plantada ao lado da mochila até que apareceu um mulher morena de blusa azul que tomou um pito dela. Nunca mais deixe suas coisas assim. Poderia ter sido levado para incineração. A mulher, que parecia bem avoada, sorriu e disse apenas oh, yeah!.
Hora de comer de novo. Mais banheiro. Voltinhas pra lá e pra cá outra vez… Sono. Dor nas costas. Enfado. E finalmente, embarque! Ainda comentei que mesmo assim eu estava feliz porque ninguém tinha brigado durante as etapas mais difíceis da viagem. Foi quando meu amigo falou: Ah, cala a boca!. Engoli seco. Era uma piadinha dele pra incitar uma briguinha boba de mentira. Ele logo percebeu que fiquei surpresa e me pediu desculpas.
Depois de 12 horas, chegamos a Santiago e creiam: não havia lugar para todos na conexão para Buenos Aires. Um de nós teve que esperar o embarque ser finalizado pra ver se havia alguma desistência. Dedos cruzados. Houve. Ufa! Bem, chegamos vivos depois de tudo isso para um show na capital portenha. E na sequência voltamos para duas apresentações em Belo Horizonte. Perdemos completamente a noção do fuso horário. Sem tempo para jetlag.
Pensando bem, essa nossa viagem nunca acaba mesmo…
Foto: John Ulhoa
Publicado no jornal Estado de Minas, 03/05/11