FUNDAMENTAL (2012)

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Entre tantos gêneros e estilos desse nosso país diverso, foi a Bossa Nova que levou o Brasil para o mundo. Desde o histórico encontro no Carnegie Hall aos antológicos discos de Sinatra e Jobim, Sergio Mendes e Marcos Valle nas pistas de dança e até a New Bossa de Bebel Gilberto. Não por acaso, foi a Bossa Nova também que reuniu o pop britânico de Andy Summers com Fernanda Takai. Como a bossa, Summers também tem influência do jazz e seus trabalhos solo trazem esse forte acento com toques de música erudita e música do mundo. Charles Mingus, Wayne Shorter e Thelonius Monk frequentam sua guitarra. Por outro lado, são inesquecíveis os solos e dedilhados em clássicos do pop como “Wraped Around Your Finger” ou “Walking on the Moon”, referências para várias gerações.

Em seu trabalho como compositora e vocalista do Pato Fu ela não costuma cantar relacionamentos, mas depois de “Insensatez” e outras pérolas do baú de Nara já temos mais esse prazer. Nas canções de “Fundamental” sua delicada voz canta o amor, a perda, a dificuldade, a conquista. Summers escreveu pensando nessa voz. Uma voz que tem tudo a ver com o tom mais pop que ele quis dar para sua bossa. E ela escolheu o repertório, dividiu versões com Zélia Duncan e John Ulhoa e ainda fez uma em japonês. Algumas letras lembram um certo romance pré-Bossa Nova, qualquer coisa de Antonio Maria como em “Chuva no Oceano”, e outras têm a leveza da praia, como nos clássicos da dupla Menescal/Bôscoli. Entre elas, “No mesmo lugar”.

“Fundamental” foi gravado e mixado em Los Angeles, no estúdio de Andy Summers, e conta ainda com a preciosa contribuição de Marcos Suzano na percussão – que dá o acento mais brasileiro do disco, e com o baixista mexicano Abraham Laboriel Sr., que já tocou com artistas do calibre de Ella Fitzgerald, Stevie Wonder e com os nossos Dori Caymmi e Gilberto Gil. “Fundamental” é uma prova de que a música não obedece mesmo fronteiras geográficas. Com tantos personagens incríveis, essa história tem tudo pra ganhar o mundo. Esse mundo dissonante que há tanto tempo tentamos inventar.

Patrícia Palumbo, 2012