IMPRENSA

EM SOCORRO DESSAS MARAVILHAS
Fernanda Takai traz de volta um Tom que era urgente recuperar

Por Ruy Castro

Um dia, rapazes e moças ouviram canções diferentes, modernas, inesperadas – cheias de bossa no jeito de fazer música, de dizer coisas, de expressar emoções. De quem eram? Como se fazia? O que era aquilo? Um nome se repetia no selo dos discos: Antonio Carlos Jobim.

Isso foi em fins dos anos 50. Ponha-se agora no lugar daqueles rapazes e moças. Eles nem sonhavam, mas, ao ouvir essas canções, estavam assistindo ao nascer de um novo dia na música popular – um dia como nenhum outro e que, sabemos hoje, nunca iria terminar. O dia em que nascia a Bossa Nova.

Este disco reproduz a época mágica em que toda uma geração pareceu despertar para a beleza. Aqui estão algumas das primeiras canções de Tom que aquela turma teve a felicidade de conhecer. Canções que, por Tom ter produzido tantas obras-primas pelo resto da vida, foram ficando para trás, quase esquecidas – “Olha pro céu”, “Aula de matemática”, “Outra vez”, “Ai quem me dera”, “Brigas nunca mais” e tantas outras.

Esquecidas? Não mais. O Tom da Takai, com Fernanda Takai, e a produção e arranjos de Roberto Menescal e Marcos Valle, veio em socorro dessas maravilhas, garimpadas pelos três. Faixa após faixa, ela nos traz de volta um Tom que era urgente recuperar – o Tom jovem, de cerca de 30 anos e ainda inconsciente de sua vocação para a eternidade.

Fernanda garante a eternidade desse repertório e, com sua leveza e juventude, faz dele nosso contemporâneo – pequenas grandes canções para tocar no rádio e, quem sabe, despertar uma nova geração.

Ruy Castro é autor de “Chega de Saudade – A história e as histórias da Bossa Nova” e “A onda que se ergueu do mar – Novíssimos mergulhos na Bossa Nova” [Companhia das Letras].