PIPA NO CÉU

Um dia meu irmão do meio saiu pra comprar uma lata de creme de leite pra completar uma receita de estrogonofe e voltou com um cachorrinha nos braços. Os outros três cães que já tinha em casa e a cara de desaprovação nada sutil da minha mãe fizeram com que aquela filhote de labrador viesse morar comigo. Já contei um pouco da história dela pra vocês, assim como a do Totó e recentemente da Branquinha.

Pipa nos deixou na terça-feira. Completaria sete anos semana que vem. Resolvi escrever sobre ela porque acho que no meu papel de humana, apesar de amá-la muito e achar que lhe dava toda a atenção, não soube interpretar bem alguns sinais. Depois que um animal querido se vai assim de repente, ficamos a nos perguntar se chamamos o veterinário na hora certa, se temos sensibilidade pra perceber o que nossos bichos tentam nos dizer. A verdade é que algumas vezes somos flexíveis demais até com nossa própria saúde…

Ela se foi depois de uma parada cardiorespiratória sem explicação. E num primeiro momento, não achamos adequado mandar a nossa amiga pra uma necrópsia. Então seu corpo foi levado a um crematório de animais. Pipa parecia muito cansada e até triste nos últimos dias. Um veterinário que vinha atendendo nossa amiga tinha feito vários testes dois meses antes para tentar detectar diabetes e outras doenças, pois ela vivia sempre controlando peso e passou a beber muita água de uma hora pra outra. O resultado foi normal. Ficamos menos preocupados. Talvez só mesmo um procedimento investigatório bem invasivo pudesse apontar as causas da sua morte. Então como todo mundo faz hoje, saí procurando na internet páginas sobre o assunto.

Um dos textos mais interessantes que achei, de autoria do Dr. William Fortney, trazia justamente a chave pra esse tipo de acontecimento: “Um cão que está indisposto faz tudo para convencer seu dono de que está bem.” Nas últimas semanas, Pipa mesmo mais lenta, se esforçava para ser a mesma boa cachorra. Carinhosa, companheira, paciente. Semana passada quando minha filha deu a ela uma bolinha nova pra brincar, mesmo que não saísse correndo atrás dela como fazia quando era mais nova, foi buscá-la e deitou-se abraçada ao novo brinquedo em sinal de aprovação. Seu jeito estabanado de comer foi substituído por um certo comedimento, mas continuava a se alimentar bem. Pensamos até que ela tinha finalmente percebido que o mundo não ia se acabar enquanto ela comia. Mas não. Já eram sinais de que sua energia estava diferente.

Eu não estava em casa quando ela morreu. Tinha viajado a trabalho e antes de sair pro aeroporto, me aproximei dela cocei atrás de suas orelhas pretas e ela fechou os olhos, como sempre fazia. Dei-lhe um beijo na testa e disse pra ela agüentar firme pois o doutor viria em algumas horas ver como ela estava. Pipa me disse: “Pode ir, não se preocupe. Vou ficar bem.” Continuou deitada e não foi comigo ao portão como sempre ia. Fui embora mesmo assim.

Assim que desembarquei do avião, ao ligar meu telefone vi uma mensagem de texto: “Ligue pra casa assim que puder”. Já com lágrimas nos olhos disquei de volta e soube que Pipa tinha partido dez minutos antes da chegada de seu médico.

Não posso esconder que sinto culpa por tê-la perdido mas sei que a falta dela vai me fazer uma pessoa ainda mais responsável. Cuide bem do seu bichinho. Cuide mais do que você acha que deve, mesmo que ele tente te provar o contrário.

Publicado no jornal Estado de Minas em 5 de junho de 2009.

Foto: Fernanda Takai

26 comentários em “PIPA NO CÉU

  1. Realmente a perda de nossos bichinhos nos deixa muito abalados, eu também tive uma perda recente e sofri muito por isso. Mas o que nos resta é aceitar e guardar apenas lembranças boas de nossos companheiros. Abraço.

  2. Estou profundamente comovida com teu depoimento, como fã e especialmente como veterinária…
    Não se sinta culpada Fernanda… O importante foi todo o amor e carinho que você e toda tua família deram pra Pipa!!!

  3. pôxa! q triste não sei nem o q dizer…talvez em oração DEUS conforte o coração de tds vcs…qm não entende, não sabe a dor q é perder um animalzinho de estimação…fica um vazio parecendo qd se vai um ente querido da familia…snif…: (

  4. É realmente muito triste isso, eu tinha o Pingo, um vira – lata mto do seu safado! estatura mediana, preto de gravatinha branca… ele sempre foi um moleque!
    Ele foi mto amado em casa, por mim e meus pais.. e foi exatamente como vc falou, nos seus ultimos momentos de vida, por volta dos seus 17 anos, mesmo acometido pela tal “doença do carrapato” ele sofreu caladinho.. nem fazia o barulho que aquela maldita dor lhe provocava! foi mto triste.. meus olhos ficam marejados de lembrar do meu companheirinho.. até um mês antes, achávamos que era câncer, pois todos os sintomas, nos levavam a crer que era, ainda mais confirmado pelo veterinário! jamais pensaríamos que teria algo relacionado a carrapato, pois ele era mto bem cuidado..
    No fim das contas, seu baço não estava bem, seus rins estavam parando.. e a dificuldade p comer com os dentes caindo aos poucos devido a idade ainda dificultavam mais sua alimentação. Pingo morreu, eu estava longe, morando em outra cidade.. na semana que ele morreu eu sentia que algo do tipo iria acontecer, resolvi voltar p casa dos meus pais como se fosse uma despedida.. mas quando cheguei em casa, quando abri a porta esperando ser recepcionada pelo meu velho amigo, eu esperei.. esperei.. indaguei por ele.. foi quando meus pais já com os olhos cheios de lagrimas me abraçaram, e nós três ficamos ali.. num silencio ao som de nossos choros. É muito triste perder um amigo desses.. até hoje quando abrimos a porta, esperamos ser recebidos com toda alegria e amor ele despejava em nós..

  5. Fernanda, querida! perdi minha gatinha essa noite…horas depois de ler esse seu texto. Ontem a noite minha cadela começou a arranhar a porta muito forte. Minha mãe desceu duas vezes para ver o que era. Comecei a ficar preocupada, lembrei do que você falou sobre “avisar”, ficar atento aos sinais. Ela desceu e encontrou a nossa gatinha ferida, perdendo sangue pela boca. :´( não pudemos fazer nada por ela. Acredita-se que ela tenha comido algo envenenado :´((( E a Meg realmente estava tentando nos avisar…estou em pedaços, só quem tem e ama esses bichinhos sabe a dor que é. Mas penso que a Marie foi para o céu encontrar com Pipa, Totó e até com o velho Chico aquele gato que o John tinha a muito tempo atrás! teu texto me confortou, obrigada!

  6. calma! é assim esmo, já perdi alguns cães..é triste,mas eles jamais morrerão,se forem lembrados por nós,só oq ue foi esquecido está morto\!!! os cães ás vezes,e outros aniamis são mais queridos que pessoas,pois não são maléficos,invejosos,traidores.vou postar seu relato no telescopio.vze.com

  7. Eu sou protetora dos animais assumida, participo de Ongs, recolho animais na rua, mas nesse momento não procurava nada do tema. Procurava de forma aleatória sobre o trabalho da Fernanda Takai, porque, assim como muita gente, admiro-a. E de repente, me deparo com a foto e texto sobre a Pipa. Isso foi um lindo sinal de que estou no caminho certo, ainda mais depois de ler que ela foi trazida da rua e unida a mais cãezinhos da casa. Parabéns pela atitude e não se culpe por ter deixado de ter feito por ela ou algo do gênero. É até estranho eu dizer isso, pois vivo achando que deveria fazer mais pelos atuais 13 cachorros e 3 gatos, todos resgatados do abandono da rua. Pense que ela é uma estrela que neste momento está com meu gatinho Abel, lá no céu, olhando por nós. Um grande beijo.

  8. Que texto lindo!! sensitivo, quase chorei, me fogem as palavras…
    perdi minha cachorrinha domingo retrasado =( =(
    Parabéns FERNANDA TAKAI pela ótima pessoa que vc aparenta ser!!!

  9. Que lindo!!! Mas não parece que vc foi menos responsável do que deveria. Vcs estavam tentando descobrir o que ela tinha, mas não estavam conseguindo. Mas ela deve estar feliz onde está 😉

  10. Chorei!!! Meu cachorrinho não sai de perto de mim, quando ele se for, vai ser um pedaço de mim que estará indo embora…

  11. Fernanda, vc precisa acrescentar na sua agenda:

    DIA 28 DE MAIO DE 2012: DUETO COM DURAN-DURAN!!!

    Só pude ver o video no youtube.. mas arrasou muitooo!!!! Parabens : )

  12. Eu durante muito tempo me senti responsável pela morte da minha cadelinha, pensava que eu não havia feito o suficiente.
    Na verdade eu não tinha recursos, eu não era veterinária, eu não podia fazer nada, eu não era Deus,mas queria ser nessas horas.
    Eu sempre amei minha cadelinha, eu sempre brincava com ela
    mas um dia ela se foi e eu se pudesse, se meu dinheiro desse…
    Na verdade eu adoro cachorros e durante 44 anos eu tive 3 a Tica morreu doente, o Fred atropelado porque era muito teimoso e a terceira Alanis ainda vive e tem 8 anos é uma pastor alemã preta linda.
    Fernanda eu tb fiquei triste hj qdo li seu texto, espero que passe logo, espero,sei que não passa pois até hj eu sinto saudades do Fred e da Tica . Lendo seu texto eu fiquei triste
    e senti vontade de te dar um abraço.
    Uma certeza podemos ter, Deus cuida deles pra nós.
    Pipa, Tica e Fred estão no Céu.
    Fica forte, firmeza aí.
    Beijo grande
    Vanessa

  13. Descobri uma artista inteira, parabéns, vc é gente demais, os bichos são nossos amores, só quem os tem sabe disso !!!!!!

  14. Hj a tarde eu perdi a minha cachorra de 17 anos, que havia sido adotada pela minha familia. Ela estava com tds as doenças de um cachorro super idoso e foi ”descansar” pq não havia mais tratamento e ela estava sofrendo mto, td vez que me lembro da sua carinha de dor, sem andar, coração ”pifado” entre outras coisas eu choro. Porem me consolo por saber que ela esta bem melhor neste momento. Os 17 anos de vida da nossa Lulu foram só de alegria e agora quero guardar a sua carinha preta de ”fuinha” e seu balançar de rabo quando chegávamos em casa. E um cachorro é mais que um cachorro apenas.

  15. Fernanda deixo com você uma crônica de um dos maiores cronistas brasileiro.Crônica canina

    Histórias de Zig

    Rubem Braga

    Um dia, antes do remate de meus dias, ainda jogarei fora esta máquina de escrever e, pegando uma velha pena de pato, me porei a narrar a crônica dos Braga. Terei então de abrir todo um livro e contar as façanhas de um deles que durou apenas 11 anos, e se chamava Zig.

    Zig – ora direis – não parece nome de gente, mas de cachorro. E direis muito bem, porque Zig era cachorro mesmo. Se em todo o Cachoeiro era conhecido por Zig Braga, isso apenas mostra como se identificou com o espírito da Casa em que nasceu, viveu, mordeu, latiu, abanou o rabo e morreu.

    Teve, no seu canto de varanda, alguns predecessores ilustres, dos quais só recordo Sizino, cujos latidos atravessam minha infância, e o ignóbil Valente; que encheu de desgosto meu tio Trajano. Não sei onde Valente ganhou esse belo nome; deve ter sido literatura de algum Braga, pois hei de confessar que só o vi valente no comer angu. E só aceitava angu pelas mãos de minha mãe.

    Um dia, tio Trajano veio do sítio … Minto! Foi tio Maneco. Tio Maneco veio do sítio e, conversando com meu pai na varanda, não tirava o olho do cachorro. Falou-se da safra, das dificuldades da lavoura .

    – Ó Chico, esse cachorro é veadeiro.

    Meu pai achava que não; mas, para encurtar conversa, quando tio Maneco montou sua besta, levou o Valente atrás de si com a coleira presa a uma cordinha. O sítio não tinha três léguas lá de casa. Dias depois meu tio levou a cachorrada para o mato, e Valente no meio. Não sei se matou alguma coisa; sei apenas que Valente sumiu. Foi. a história que tio Maneco contou indignado a primeira que vez voltou no Cachoeiro; o cachorro não aparecera em parte alguma, devia ter morrido …

    – Sem-vergonhão!

    Acabara de ver o Valente que, deitado na varanda, ouvia a conversa e o mirava com um olho só.

    Nesse ponto, e só nele, era Valente um bom Braga, que de seu natural não é povo caçador; menos eu, que ando por este mundo a caçar ventos e melancolias.

    Houve, certamente, lá em casa, outros cães. Mas vamos logo ao Zig, o maior, deles, não apenas pelo seu tamanho como pelo seu espírito. Sizino é uma lembrança vaga, do tempo de Quinca Cigano e da negra Iria, que cantava O Crime da Caixa-d’Água e No Mar Desta Vida, em cujo mar afirmava encontrar às vezes “alguns escolhos”, e eu tinha a impressão de que “escolhos” eram uns peixes ferozes piores que tubarão.

    Ao meu pai chamavam de coronel, e não o era; a mim muitos me chamam de capitão, e não sou nada. Mas isso mostra que não somos de todo infensos ao militarismo, de maneira que não há como explicar o profundo ódio que o nosso bom cachorro Zig votava aos soldados em geral. A tese aceita em família é que devia ter havido, na primeira infância de Zig, algum soldado que lhe deu um pontapé. Haveria de ser um mau elemento das forças armadas da Nação, pois é forçoso reconhecer que mesmo nas forças armadas há maus elementos, e não apenas entre as praças de pré como mesmo entre os mais altos … mas isto aqui, meus caros, é uma crônica de reminiscências canino-familiares e nada tem a ver com a política.

    Deve ter sido um soldado qualquer, ou mesmo um carteiro. A verdade é que Zig era capaz de abanar o rabo perante qualquer paisano que lhe parecesse simpático (poucos, aliás lhe pareciam) mas a farda lhe despertava os piores instintos. O carteiro de nossa rua acabou entregando as cartas na casa de tia Meca. Volta e meia tínhamos uma “questão militar” a resolver, por culpa de Zig.

    Tão arrebatado na vida pública, Zig era, entretanto, um anjo do lar. Ainda pequeno tomou-se de amizade por uma gata, e era coisa de elevar o coração humano ver como aqueles dois bichos dormiam juntos, encostados um ao outro. Um dia, entretanto, a gata compareceu com cinco mimosos gatinhos, o que surpreendeu profundamente Zig.

    Ficou muito aborrecido, mas não desprezou a velha amiga e continuou a dormir a seu lado. Os gatinhos então começaram a subir pelo corpo de Zig, a miar interminavelmente. Um dia pela manhã, não agüentando mais, Zig segurou com a boca um dos gatinhos e sumiu com ele. Voltou pouco depois, e diante da mãe espavorida abocanhou pelo dorso outro bichinho e sumiu novamente. Apesar de todos os protestos da gata, fez isso com todas as crias. Voltou ainda, latiu um pouco e depois saiu na direção da cozinha. A gata seguiu-o, a miar desesperada. Zig subiu o morro, ela foi atrás. Em um buraco, lá no alto, junto ao cajueiros estavam os cinco bichos, vivos e intactos. A mãe deixou-se ficar com eles e Zig voltou para dormitar no seu canto.

    Estava no maior sossego quando a gata apareceu novamente, com todas as crias atrás. Deitou-se ao lado de Zig, e novamente os bichinhos começaram a passear pelo seu corpo.

    Um abuso inominável. Zig ficou horrivelmente aborrecido, e suspirava de cortar o coração, enquanto os gatinhos lhe miavam pelas orelhas. Subitamente abocanhou um dos bichos e sumiu com ele, desta vez em disparada. Em menos de cinco minutos havia feito outra vez a mudança, correndo como um desesperado morro abaixo e morro acima. Mas as mulheres são teimosas, e quando descobrem o quanto é fraco e mole um coração de Braga começam a abusar. O diabo da gata voltou ainda cinicamente com toda a sua detestável filharada. Previmos que desta vez Zig ia perder a paciência. O que fez, simplesmente, foi se conformar, embora desde então esfriasse de modo sensível sua amizade pela gata.

    Mas não pensem, por favor, que Zig fosse um desses cães exemplares que freqüentam as páginas de Seleções, somente capazes de ações nobres e sentimentos elevados, cães aos quais só falta falar para citarem Abraham Lincoln, e talvez Emerson. Se eu afirmasse isso, algumas dezenas de leitores de Cachoeiro de Itapemirim rasgariam o jornal e me escreveriam cartas indignadas, a começar pelo Dr. Lofego, a quem Zig mordeu ignominiosamente, para vergonha e pesar do resto da família Braga.

    De vez em quando aparecia lá em casa algum sujeito furioso a se queixar de Zig.

    Assisti a duas dessas cenas: o mordido lá embaixo, no caramanchão, a vociferar, e minha mãe cá em cima, na varanda, a abrandá-lo. Minha mãe mandava subir o homem e providenciava o curativo necessário. Mas se a vítima passava além da narrativa concreta dos fatos e começava a .insultar Zig, ela ficava triste: “Coitadinho, ele tão bonzinho … é um cachorro muito bonzinho.” O homem não concordava e ia-se embora ainda praguejando. O comentário de mamãe era invariável: “Ora, também … Alguma coisa ele deve ter feito ao cachorrinho. Ele não morde ninguém … “.

    “Cachorrinho” deve ser considerado um excesso de ternura, pois Zig era, sem o mínimo intuito de ofensa, mas apenas por amor à verdade, um cachorrão. E a verdade é que mordeu um número maior de pessoas que o necessário para manter a ordem em Cachoeiro de Itapemirim. Evitávamos, por isso, que ele saisse muito à rua, e o bom cachorro (sim, no fundo era uma boa alma) gostava de ficar em casa; mas se alguém saía ele tratava de ir atrás.
    Contam que uma de minhas irmãs perdeu o namorado por causa da constante e apavorante companhia de Zig.
    Quanto à minha mãe ela sempre teve o cuidado de mandar prender o cachorro domingo pela manhã, quando ia à missa. Às vezes, entretanto, acontecia que o bicho escapava; então descia a escada velozmente atrás das pegadas de minha mãe. Sempre de focinho no chão, lá ia ele para cima; depois quebrava à direita e atravessava a Ponte Municipal. Do lado Norte trotava outra vez para baixo e em menos de quinze minutos estava entrando na igreja apinhada de gente. Atravessava aquele povo todo até chegar diante do altar-mor, onde oito ou dez velhinhas recebiam, ajoelhadas, a Santa Comunhão.

    Zig se atrapalhava um pouco – e ia cheirando, uma por uma, aquelas velhinhas todas, até acertar com a sua dona. Mais de uma vez o padre recuou indignado, mais de uma vez uma daquelas boas velhinhas trincou a hóstia, gritou ou saiu a correr assustada, como se o nosso bom cão que fuçava, com seu enorme focinho úmido, fosse o próprio Cão de fauces a arder.

    Mas que alegria de Zig quando encontrava, afinal, a sua dona! Latia e abanava o rabo de puro contentamento, e não a deixava mais. Era um quadro comovente, embora irritasse, para dizer a verdade, a muitos fiéis. Que tinham lá suas razões, mas nem por isso ninguém me convence de que não fossem criaturas no fundo egoístas, mais interessadas em salvar suas próprias e mesquinhas almas do que em qualquer outra coisa.

    Hoje minha mãe já não faz a longa e penosa caminhada, sob o sol de Cachoeiro, para ir ao lado de lá do ria assistir à missa. Atravessou a ponte todo domingo durante muitas e muitas dezenas de anos, e está velha e cansada. Não me admiraria saber que Deus, não recebendo mais sua visita, mande às vezes, por consideração, um santo qualquer, talvez Francisco de Assis, fazer-lhe uma visitinha do lado de cá em sua velha casa verde; nem que o Santo, antes de voltar, dê uma chegada ao quintal para se demorar um pouco sob o velho pé de fruta-pão onde enterramos Zig.
    _____________________

    Crônica escrita em 1948 e extraída de BRAGA, Rubem. 200 Crônicas Escolhidas. Rio de Janeiro: Editora Record. 1978.

  16. desculpa a intimidade de te chamar de nanda, po que depoimento lindo e emocinante, estou com lagrimas nos olhos, fui um bom escoteiro, portanto um dos mandamentos e ser amigos dos animais e das plantas. crio um cao um galo e duas gatas, agora so uma, perdi pandora tambem, com certeza ela e pipa, e outros animais que ja foram estao no ceu. um beijo

  17. Eu também amo muito meus cães e sofro demais quando algum deles se vão….é só o tempo pra amenizar a dor, semana passada minha pinscher de 13 anos também se foi é muito dolorido! Sou sua fã desde que conheci meu marido em 1997, e estamos casados há 10 anos, A “canção pra você viver mais”, foi o toque de entrada na igreja para meu esposo em 2002 quando nos casamos, meu filho se chama John, por causa de vocês… se fosse menina ia ser Fernanda…continue nos alegrar com letras e canções tão lindas.

  18. NOSSA FERNANDA EU SEMPRE FUI SUA FÃ E AGORA MAIS AINDA DEPOIS DE VER Q/ SER HUMANO MARAVILHOSO VC É POIS SÓ PESSOAS MTO MAIS MTO SENSÍVEL MSM É CAPAZ DE DE ENTENDER ESSE AMOR ENTRE HUMANOS E ANIMAIS . EU TENHO UMA LINDA CADELINHA A DARA Q/ NA VERDADE É C/ SE FOSSE MINHA FILHA ,SEI Q/ VOU SOFRER MTO QDO ELA PARTIR MAIS ATÉ LÁ AGENTE VAI SE DIVERTIR MTO E SERMOS MTO FELIZ.

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