O QUE SE PASSA NA CABEÇA DE…

Tudo calmo. Tudo em ordem. La la la ri… epa! O que é aquela coisa nova ali no meio do jardim? Parece que está atacando o gramado. Parece uma grama má comendo a outra grama. Vou resolver isso. Iáááááá! Cava cava. Rasga rasga. Agora sim, essa aí não causa mais problema.”

– Nãooooo! Vem ver o que ela fez com a grama nova que a gente tinha plantado! Espalhou tudo pelo jardim! Já pro canil!

Hummm… a noite tá tão fresquinha. Boa pra ficar deitada de barriga pra cima olhando a lua… Ué, a mangueira de água tá pingando. Já sei! Nhac nhac. Rasga rasga. Amassa morde. Consegui soltar. Não pinga mais. Ufa! Agora a água tá solta e livre.”

– Gente, a mangueira acordou toda rasgada e a água tá vazando direto. Só pode ter sido… Já pro canil!

Outro dia eu vi um moço arrancando umas folhas dessas aqui. Vou ajudar. Quando vier de novo, já vai estar pronto. Nhoc nhoc. Escarafuncha. Cava. Rasga. Nhac. Quatro vezes. Ficou tudo limpinho. Acho até que vou ganhar um biscoito…”

– Não acredito! Você acabou com meu canteiro de bromélias! As quatro de uma vez! Ficaram só no toquinho. Já pro canil!

Ei, eu quero ir. Me levem com vocês! Por que tão levando só a outra? Mesmo se for vacina, eu quero também. Eu quero ir! Não fechem o portão! Como é que eu faço? Preciso passar. Talvez se eu começar a roer a madeira… É tão dura! Roc roc. Nhac nhoc. Grunfa grunfa. Olha! Abriu um buraquinho, mas fiquei cansada. Vou beber água depois continuo. Eu alcanço vocês.”

– O quê?! Olha o rombo que ela fez no portão. Gente, nem cinco minutos! Se eu eu não tivesse esquecido os documentos do carro ia ter comido o portão inteiro. Já pro canil!

A menina deixou a bola nova cair embaixo do carro. Vou pegar pra ela. Vrunf vrunf. Chumba chumba. Peguei. Ops. Acho que furou. Vou levar pra deixar na porta entrada da casa. Que gostosinho esse plástico! Nhac nhec nhic nhoc nhuc. Delícia. Acho melhor sumir com o resto pra ela não ficar triste.”

– Adivinha onde foi parar a bola que você tava procurando? Olha aí o cocô colorido de rosa pelo jardim… Já pro canil!

O vento tá soprando forte. Tem uma blusa quase caindo do varal. Vou pegar pra ela não cair no chão. Arf urf! Melhor levar pra lavanderia. Deixo perto daquele negócio branco que lava um monte de roupa de uma vez só. Um passarinho! Puxa, com essa blusa na boca é mais difícil correr. Xi… voou.”

– Aí você foi longe demais! Minha blusa preferida rasgada e suja de terra… o que se passa na cabeça dessa cachorrinha? Já pro canil!

Esse pessoal é muito distraído. Olha lá: a janela do carro ficou aberta. Acho que se eu me esforçar, subo pela porta e fico lá dentro tomando conta…”

– Papai, acho que alguém arranhou a porta do seu carro inteirinha!

Pode deixar que eu vou pro canil sozinha. Nem precisa me falar mais isso, pessoal. Já aprendi. Viu, como sou uma cachorra legal? Eu amo essa família!”

03 de agosto de 2010

IMG_1517

Foto: Fernanda Takai

5 thoughts on “O QUE SE PASSA NA CABEÇA DE…

  1. Oi, Fernanda!!! Engraçado esse texto… faz lembrar muito os filmes mostrando animais falando!!! O curioso é que eu tenho um cachorro também; o nome dela é Mel!!! E tinha um Pincher chamado Melissa, acredita??? Aguardo sua resposta!!! Eu sou seu fã, hein??? Um grande abraço, vindo diretamente de Natal-RN!!!

    1. oi cleide, faz tempo mesmo que estamos tentando voltar a natal, está em nossos objetivos para 2016. pato fu ou meu show solo. vamos torcer! obrigada por ter lido o texto e gostado!

  2. Voçê é a mineirinha mais doce que conheço. Tenho um sítio em Roça Grande (São Joâo Nepomuceno/MG) cuja casa simples é sustentada por pilares de madeira, quintal com grama, vista para uma chaminé de usina de açucar desativada e um casal de vira-latas lindos que meu neto adora brincar.

  3. A nossa viralatinha também era assim, roeu e destruiu toda a fiação do nosso carro novo, fora os arranhões na pintura e já perdi chinelos, sapato, tênis, camisas, mangueira e plantas do jardim (ela conseguiu comer uma touceira de capim cidreira que tinha o dobro do tamanho dela), peças da bicicleta, perdi noites mal dormidas por causa dos latidos…
    Depois de dois anos e “umas par” de palmadas… Hoje digo que valeu a pena não ter desistido dela, hoje ela é muito obediente, nós entende só pelo tom da voz, ela só falta falar (ela se expressa através de grunhidos), não sai pra rua, é carinhosa e companheira.
    Espero que a sua também amadureça, e até lá te desejo muita paciência!

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